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Amazônia será destruída até 2064, prevê cientista

ByMax Blanc

jan 1, 2021
Ecossistema tem 3,7 milhões de quilômetros quadrados

Ecossistema tem 3,7 milhões de quilômetros quadrados
Wikipédia

A Amazônia será destruída até 2064 devido ao desmatamento e às secas prolongadas provocadas por mudanças climáticas. É o que prevê o cientista Robert Waker, professor de geografia da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, em artigo publicado recentemente pela revista científica Environment.

Segundo Waker, a maior floresta tropical da Terra, que tem cerca de 3,7 milhões de quilômetros quadrados, fará, nas próximas décadas, a transição de uma floresta densa e úmida para uma savana aberta, dominada por gramíneas e arbustos inflamáveis, e deve atingir o que ele chama de “ponto de inflexão” em até no máximo 44 anos.

Na prática, isso significa que em 2064, as secas extremas podem se tornar frequentes demais para que o dossel – a cobertura superior da floresta, formada pelas árvores –, se recupere completamente.

As mudanças climáticas intensificadas pelos incêndios ocorridos em 2019 seriam os principais agentes causadores dessa mudança. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), foram registrados de janeiro a agosto do ano retrasado mais de 80 mil incêndios em todo o país, um aumento de 77% em comparação com o mesmo período de 2018.

“A maior preocupação é com o aumento da perda de árvores provocado pela combinação de incêndios, desmatamento e extração de madeira”, afirmou.

O desmatamento – a remoção permanente de árvores – causa não só a destruição do habitat florestal e a perda da diversidade biológica, como também afeta o clima regional, reduzindo a precipitação e prolongando a estação seca – que, por sua vez, prejudica fortemente a capacidade das árvores sobreviventes de fazerem sua função. Um estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, divulgado em março de 2015, aponta que árvores absorvem um décimo menos CO2 da atmosfera durante as secas.

“Na verdade, o sul da Amazônia pode esperar atingir um ponto crítico em algum momento antes de 2064 na taxa atual de prolongamento da estação seca”, alertou.

Era do Antropoceno

Em outra parte do artigo, o professor se refere à era do Antropoceno, época geológica proposta pelos cientistas na qual os humanos mudaram permanentemente o planeta.

“O meio ambiente amazônico provou ser resistente a longas oscilações de mudanças climáticas que podem ser rastreadas por meio de registros geológicos que se estendem por milhões de anos”, disse.

“Mesmo durante os períodos muito mais quentes do que hoje, a floresta se manteve firme, com alguma invasão da savana tropical ao longo da borda da Bacia ao sul e a leste, agora conhecida como o arco do desmatamento”, completou.

Waker se questiona se o Antropoceno agirá com mais força, desencadeando uma transgressão do ponto de inflexão na escala da bacia. Seja qual for a resposta, é indiscutível, segundo ele, que o clima da Amazônia está mudando agora.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Celso Fonseca

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